ONZE DE ABRIL DE 2024
Mais um 11 de abril se passou, o do ano de 2024, o 36o de que tenho notícia. É inevitável pensar em quantas comemorações se sucederam ao longo dos anos, quantas projeções acerca do ano seguinte. Como estaria? Com quem comemoraria? Estaria satisfeito comigo mesmo? As respostas por que ansiava teriam sido respondidas?
Quando criança, ansiava muito pela chegada do dia 11, às vezes uma Páscoa, um sábado de aleluia ou uma sexta-feira da Paixão. Independentemente da data festiva que fosse, para mim já era motivo de alegria por si só. Estaria com minha família e meus amigos da vila, ganharia algum brinquedo desejado (criança detesta ganhar roupa…rs), teria um futuro vasto pela frente. Tudo seria possível.
Essa coisa mágica da infância, de podermos sonhar livremente, sem impor limites ao que seremos, é uma das coisas mais bonitas que uma criança pode ostentar. Isso se perde ao longo da vida, infelizmente, com as imposições da realidade: recursos limitados, tempo escasso, responsabilidades infinitas, dentre tantas razões.
Mas, apesar disso, penso que sonhar ainda pode ser algo praticável. Talvez não com a inocência infantil de que tudo efetivamente pode acontecer, mas com um olhar otimista sobre o futuro. Acreditando que ele pode, sim, trazer coisas boas, a despeito das dores que vamos acumulando na caminhada dos anos.
O envelhecimento, a meu ver, transforma o sonho ilimitado da criança no otimismo possível do adulto, naquilo que pode ser realizado se fizermos a nossa parte e seguirmos acreditando. É bem verdade que, mesmo assim, as coisas podem não sair exatamente como esperávamos que seria.
Contudo, não significa que tudo se perdeu. Sempre aprendemos e, por vias não retas, acabamos chegando a destinos antes sequer cogitados, mas que têm a capacidade de nos surpreender positivamente. E, como gosto de pensar e repetir, quem pensou lá atrás já não é o mesmo de hoje. Os sonhos e anseios mudaram.
Hoje, olho no espelho e vejo um homem ainda jovem, mais próximo dos 40 do que dos 30. Esperava tantas coisas no dia de hoje que, lamentavelmente, não estão presentes. Pessoas especiais já não estão mais aqui fisicamente: mãe, avós… A perspectiva que eu tinha lá atrás sobre como estaria aos 36 é diferente do que vejo agora. Estou triste com isso? Lamento? Claro que não! Pelo contrário.
Vi as vidas de meu pai e irmão se transformarem em algo melhor, nossa relação se aprofundar, amadurecer. Especialmente a minha relação com meu pai é outra. Penso que estou tendo a oportunidade de conhecê-lo melhor. Conversamos sempre sobre tudo. Minha mãe sempre esteve no lugar de destaque e ele acabava ficando em segundo plano. Não que fosse intencional, mas era o que acontecia. É muito gratificante vê-lo construir sua autonomia, não obstante a deficiência visual.
Eu me reinventei e, no processo, tenho encontrado o sentido de mim mesmo: entendendo do que gosto, como penso, qual a minha voz. O que realmente importa pra mim, não o que supunha importante porque assim deveria ser segundo o script de vida socialmente difundido.
Tenho uma vida estável, fruto de um concurso que me exigiu muito tempo de estudo e dedicação. Exerço uma função que me traz satisfação, porém não estou mais apenas nessa caixa. Descobri que posso ser vários, o advogado, o corredor, o atleta amador (algo inimaginável no passado), o escritor, o amigo, o filho, o irmão… Cada faceta faz de mim o que estou sendo, porque ainda tem muito pela frente.
Casar? Ter filhos? Não sei, não acho que precise ter as respostas agora. Pela primeira vez na minha vida de controle excessivo, não ter as certezas é um alento. É uma porta aberta para sonhar mais livremente, exercer a esperança que a maturidade tem me proporcionado. E sabe o que é mais incrível? Nunca me senti tão jovem!
Envelhecer é inevitável, mas deixar morrer o vigor que a juventude traz para a vida, os planos que ainda queremos colocar em prática, o que queremos fazer, já é uma opção. E nós a exercemos todos os dias, e não apenas no marco de mais um aniversário.
Escrevo este texto, aliás, a caminho de Brasília, para visitar amigos que a vida me deu em decorrência do trabalho. Ficarei hospedado na casa do mais recente deles, um irmão com que a vida me presenteou. Vale a pena ter esperança e seguir adiante.
Mais um 11 de abril e a gratidão pela vida segue pulsando aqui.
Comentários
Postar um comentário