FOLHA EM BRANCO

Olho para a folha em branco do caderno, tentando encontrar a melhor forma de preenchê-la. Se com pensamentos, divagações, angústias ou, simplesmente, ilustrações aleatórias. As possibilidades são muitas, as incertezas mais ainda.  

No balanço dos últimos dias, festivos por imposição social, revisitei inúmeras projeções de outrora. Em relação à vida, aos relacionamentos, ao futuro. Em busca (sim, a eterna busca) do tal sentido, do que me move, mesmo que, por vezes, de forma invisível. 

Engraçado que, nesses momentos, as respostas chegam de formas não anunciadas. Quase que como se sempre tivessem estado ali. Tudo parece tão óbvio, tão claro, que salta aos olhos, ecoa nos ouvidos, não abandona mais o pensamento. Talvez tudo o que fosse necessário para essa epifania fosse um simples silêncio. 

É paradoxal que, em meio ao regozijo barulhento do redor, a gente encontre um silêncio que converse tão abertamente conosco e, a partir daí, tanta coisa passe a fazer sentido. Mas, acredito que é assim mesmo. Não há um caminho ou uma fórmula certa para revelações. Elas chegam quando o espírito está pronto para recebê-las. Quase que como um senhorio aguardando seus hóspedes em meio a uma tempestade não anunciada.  

Triste seria se nunca viessem, porque nada é pior do que seguir na escuridão em meio a cenários duvidosos. Por mais que haja uma mão a conduzir, ver por si próprio, lúcido, sempre será uma experiência insubstituível. Porque as impressões de tudo são sempre, ao fim e ao cabo, completamente subjetivas. 

Por tudo isso, preencho a folha em branco com a gratidão por ter enxergado um caminho que sempre esteve ali, mas que, por alguma razão, recusava-me a considerar possível de ser trilhado.

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