PRECE AO TEMPO

Fiz uma prece ao tempo, pedindo que deixasse de correr. Que a euforia vivida em dado momento se mantivesse para sempre. 

Por um descuido da natureza - ou talvez uma lição do Universo -, fui atendido. Mas, o sonho tornou-se pesadelo, condenando-me a um futuro preso ao mesmo horizonte do presente. 

Então, entendi que o passar do tempo é tempero da vida. Transforma dores em alegrias, traz amadurecimentos necessários, desfaz ilusões criadas, ressignifica importâncias. 

E é justamente esse contínuo encadeamento de eventos, bons ou não, que permite que a euforia faça sentido. Afinal, quando tudo é digno de celebração, nada é. É preciso que haja uma planície para que a montanha exista.

Hoje, a prece é para que o tempo siga o seu curso naturalmente e que eu esteja por inteiro em suas estações. Não viva o passado no presente, nem tampouco o presente em função exclusiva do futuro. 

Sempre haverá um tempo certo para se viver cada momento para os viventes mais atentos. 

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