A VIDA SE FAZ O MEIO TERMO
Compasso, descompasso. Acerto, desacerto. Memória, esquecimento. Encontro, desencontro. Os antônimos são os extremos, a vida acontece no intervalo. Durante a inspiração, durante o processo de maturação, durante aquele pensamento que precede a fala, a ação.
Por vezes, a obra acabada é tida como o auge de um processo. Não deixa de ser verdade, mas o que se permite ser durante o processo em si, as transformações que se operam na essência, acabam sendo mais significativas que o próprio desfecho.
Não é sobre a chegada, mas sobre o caminho, como dizem. E é bem assim mesmo. É sobre o que nos tornamos no intervalo entre a concepção e a concretização.
Perguntas feitas podem não necessariamente levar às respostas, mas ceder lugar a novas perguntas. E não há nada de errado nisso, porque quem fez as primeiras perguntas já não é a mesma pessoa que fez as subsequentes. Afinal, estamos em constante mudança. O eu de hoje é um estranho inconveniente (ou não) para o eu que foi.
Pensamento, realidade, compasso, descompasso... Nesse jogo de extremos, a vida se faz o meio termo.
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