SEM REVISÕES

Sem aspas, poréns ou reticências. Sem filtros ou revisões. Não é sempre que se consegue ajustar a mensagem, nem tampouco o que dela faz o destinatário. Por vezes sequer se sabe a quem se destina. Pode perfeitamente ser para si mesmo e, por tabela, para tantos outros anônimos desconhecidos. Na verdade, diria que a regra é o desajuste do que foi expressado, a incontinência do significado nas próprias palavras. 

Em tempos de realidade desconexa, de incerteza impositiva, não se pode ter o luxo de achar que aquilo o que se quer dizer é aquilo que se quer ouvir. Mais ainda. Não se pode dizer que aquilo que se diz efetivamente é aquilo que se quer dizer. 

Pode parecer louco tudo isto, mas o que é, em verdade, a lucidez senão uma convenção dos que se arvoram da condição de sãos? Não seriam os lúcidos loucos que, por convenção, entenderam que o padrão de loucura a que fogem tornaria todos os outros os loucos? E a loucura, nisso tudo, não seria algo tão subjetivo e descompassado, que não cabe em palavras ou expressões?

Não sei dizer o que parece certo ou errado. A realidade não me permite. Não sei afirmar se as coisas estão nos eixos ou são deslocadas por natureza. Estou andando em círculos intermináveis, exausto de tentar buscar significado numa mensagem embaçada e sem destinatário. Não sei mais o que é realidade ou delírio coletivo. 

Para, vibra, grita, silencia, excessos... Não há como determinar. Talvez o futuro dirá, o presente me consumirá ou o passado deixará de existir... Só sei que revisões não são possíveis. Não há tempo, não há critério, não há vida possível...

Comentários

Postagens mais visitadas